Da Série "Ditadura"
Oi povo!!
Esse poema eu tirei da "Caros Amigos", achei tão legal que resolvi postar aqui.
Diante das dificuldades da vida, é necessário abstrair. E é o que eu estou fazendo.
SONETO 584 DELATADO
Atado ao pau-de-arara, o preso aguarda
que todos se acomodem. Se depara
ali o mesmo informante que o dedara
Alguns vêm à paisana, outros de farda.
Início da sessão. Alguém não tarda
a rir do torturado, cuja cara
contorce-se em esgares. A taquara
penetra-lhe no cu, que se acovarda.
A certa altura, todos tomam parte
tirando uma casquinha. O eletrochoque
funciona em cada mão, até que farte.
Na boca o prisioneiro sente o toque
do tênis do cagüeta, o que mais arte
revela quando um rosto chute ou soque.
É isso aí criançada. Esse é o post de hoje. E por hoje é só.
Escrito por Mestre de Obras Estranha às 20h25
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